Nave Interestelar de 100 Anos

Desde que o homem pisou na Lua, o tema da exploração espacial deixou os jornais para residir apenas na ficção científica. Em 30 anos, o programa de exploração espacial da NASA não passou de 300 milhas da Terra e agora está em processo de desativação. Para que investir na conquista do espaço quando há um planeta inteiro de problemas para resolver? Agora, até mesmo os telescópios espaciais estão na mira do corte orçamentário.

O Telescópio Espacial James Webb (JWST), atualmente em construção, é um deles. Projetado para superar o revolucionário Hubble, possuirá a capacidade de penetrar o cosmos como nenhum outro telescópio já foi capaz, podendo nos levar alguns passos adiante em compreender como o universo foi formado e para onde está indo. Mas, desde o começo do projeto, problemas de gestão e atrasos no cronograma já custaram US$ 1.4 bilhões adicionais, totalizando US$ 6.5 bilhões. A comunidade de astrônomos entende os atrasos como decorrentes dos obstáculos de ordem técnica que requerem soluções inovadoras. Mas os parlamentares vêm apenas os gastos. O corte previsto é em US$ 1.6 bilhões, o que pode frustrar todo o projeto e levar ao seu cancelamento.

Neil deGrasse Tyson, um astrofísico americano, defende o JWST em uma entrevista ao apresentador Bill Maher.

Segue a tradução:

Antes de mais nada, vamos explicar o que é o orçamento da NASA. Vocês sabem que o resgate (Tyson refere-se ao resgate governamental americano aos bancos por ocasião da crise de 2008) de US$ 850 bilhões de dólares, que esta soma de dinheiro é maior que todo o orçamento da NASA em seus 50 anos de operação?

E então quando alguém diz, “Nós não temos dinheiro suficiente para esta sonda espacial”, eu digo não, não é que você não tem dinheiro suficiente, é que a distribuição do dinheiro é distorcida de tal modo que você acaba eliminando a única coisa que dá às pessoas alguma coisa para sonhar no futuro.

Vocês se lembram dos anos 60 e 70. Não passava mais de uma semana antes que aparecesse um artigo na revista Life: “A Casa do Amanhã”, “A Cidade do Amanhã”, “O Transporte do Amanhã”. Tudo isso terminou nos anos 70. Depois que paramos de ir à Lua, tudo acabou. Nós paramos de sonhar.

Então eu me preocupo que a decisão que o Congresso tome não considere as consequências dessas resoluções no amanhã. O amanhã já era. Eles estão preocupados com os relatórios mensais, estão preocupados com o próximo ciclo de eleições; isso está hipotecando o verdadeiro futuro desta nação e o resto do mundo irá nos passar para trás.

Tyson fala sobre o futuro dos EUA, mas o futuro do mundo também é dependente da NASA, ao menos por ora. E ninguém está fazendo nada?

É aí que entra a Nave Interestelar de 100 Anos (100 Year Starship™ ou 100YSS), empreendimento que irá, durante o próximo século, trabalhar para tornar possível a viagem interestelar.

A Nave Interestelar de 100 Anos, projeto iniciado no outono de 2010, é mais do que construir uma nave interestelar ou qualquer tecnologia em especial. Através deste esforço, a Agência de Projetos de Pesquisa Avançados de Defesa – DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency)  procura inspirar as gerações futuras a se comprometer com a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias revolucionárias e inovações transversais que abranjam uma miríade de disciplinas como física, matemática, engenharia, biologia, economia e ciências psicológicas, sociais, políticas e culturais. O objetivo é perseguir a viagem espacial a longa distância, ao mesmo tempo em que entrega os subprodutos de sua pesquisa para o benefício da humanidade.

Para isso, deverá ser desenvolvido um estudo de 1 ano de duração, denominado Estudo da Nave Interestelar de 100 Anos (100 Year Starship™ Study), que fundará as bases para a organização que será encarregada de desenvolver a visão que é a Nave Interestelar de 100 Anos. Desse modo, deverá desenvolver um modelo viável e sustentável para o investimento contínuo e a longo prazo do setor privado em uma miríade de disciplinas necessárias para tornar a viagem espacial de longa-distância praticável e factível.

O âmago deste estudo é promover o renascimento do sentimento de deslumbramento entre os estudantes, academia, indústria, pesquisadores e a população em geral, levando-os a se indagar “por que não?” e encorajá-los a abordar novas áreas de pesquisa e desenvolvimento relacionadas a todas as questões em volta da grande distância e duração de uma viagem espacial.

Este empreendimento requererá o entendimento de muitas questões: como as organizações evoluem e mantêm o foco e o momentum por 100 anos ou mais; que modelos têm apoiado o desenvolvimento de tecnologia a longo prazo; que recursos e estruturas financeiras têm iniciado e sustentado colonizações anteriores de “novos mundos”?

Na tentativa de alcançar conquistas maiores, como o primeiro vôo para a lua, a humanidade ampliou os limites do que é possível realizar tecnicamente. Este projeto não apenas terá impacto a longo prazo, como pode ter impacto real na sociedade atual. Os programas espaciais até hoje resultaram em benefícios tão incríveis como a melhoria do processo de purificação da água como o aperfeiçoamento da detecção do câncer de mama. As tecnologias que criamos têm impactos muito diretos aqui na Terra, inclusive beneficiando os soldados – o principal cliente da DARPA.

A DARPA recebe o apoio do Centro de Pesquisa Ames da NASA neste projeto, que agirá como agente executivo em nome da DARPA.

Deve-se ressaltar que nem a DARPA nem a NASA estão realmente construindo uma Nave Interestelar de 100 Anos. Estamos plantando as sementes para uma organização. Logo, não estão aceitando inscrições para compor a tripulação no momento. Entretanto, estão aceitando propostas para um modelo de negócios a ser seguido por essa futura organização da 100YSS! As propostas deverão ser entregues até 11/11/11, com prêmio de US$ 500.000 para a escolhida. Concurso aberto a todas as nações.

Maiores informações nos sites da 100YSS e do Federal Business Opportunities.

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4 comentários em “Nave Interestelar de 100 Anos

    • Ah, eu participaria se pudesse! Quem sabe a gente não monta uma teoria para apresentar para a DARP? Como nossos desafios, hehe!

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