Kidoairaku – peixe incomparável!

Após muitas comilanças, o blog sofreu uma verdadeira hibernação para que eu pudesse me recobrar de toda a loucura destes últimos 3 meses. Sem maiores delongas, já aviso que sou uma planejadora obsessiva-compulsiva e só o fato de planejar o itinerário de viagem à Europa exauriu meus pobres neurônios (Freud não explica). Aí vieram as férias propriamente ditas e fiquei quase 20 dias no paraíso – mas completamente offline – e depois mais estresse quando surgiu a oportunidade de mudar de emprego. Não é fácil conseguir trabalhar no que se quer, e batalhei para conseguir a transferência. Agora que está tudo certo, continuemos!

Para começar, nada melhor que um aperitivo, então vamos às comilanças! Após ouvir muito bem de um restaurante japonês modesto e despretensioso – leia-se minúsculo e bagunçado -, resolvi deixar de lado a culinária chinesa e voltar às raízes, almoçando no Kidoairaku!

Kidoairaku - ambiente

O Restaurante

O restaurante não é chamado de pequeno à toa: até o Aska parece grande perto dele. É muito fácil perder a entrada do restaurante, já que ninguém espera ver um sofá com TV logo no lobby. Nem uma decoração feita de estantes de madeira recheadas de entulho *ahem* preciosidades como canecas, livros, mangás e Doraemon. E fala sério, quantos calendários uma pessoa tem de ter? Contei uns 5, mas tenho certeza que deveriam ter mais.

Logo ao lado da entrada, há um balcãozito de madeira com algumas cadeiras rodeando-o. Subindo uns 3-5 degraus – o balcão deve ficar a meros 2 m das escadas, comprimindo o pessoal sentado à sua volta – chega-se a um mezanino com algumas mesas dividido em 2 ambientes pela bancada de montagem dos pratos. É realmente minúsculo.

Além dos calendários mil e da desarrumação geral, é interessante observar o cardápio afixado à parede: uma dúzia de tiras de papel com o nome dos pratos.

Kidoairaku - Cardápio

Curioso que o cardápio afixado à parede e o menu entregue pelos atendentes são ligeiramente diferentes entre si. E somente o menu de caderno tem as traduções em português, o que pode tornar a escolha meio difícil para os que não entendem zenzen de japonês. Até eu tive um pouco de dificuldade (mas sou meio paraguaia! 😀 ).

A Refeição

Após sermos informadas que o prato do dia era frango frito (acho que prato do dia é mais barato), pedi um “pregonomisozukeyaki” – para os leigos, peixe-prego grelhado com soja fermentada – devido às boas críticas que tenho visto pela web. Minha mãe pediu um “yakizakana teishoku” – prato executivo com anchova grelhada. Sempre que vamos a um restaurante japonês, costumamos pedir um teishoku e mais um prato para dividir, se o teishoku for pequeno. Quando vi os pratos dos vizinhos chegarem concluí que o teishoku não era pequeno – era minúsculo e indivisível. Ótimo para quem está sozinho, mas nada bom para quem precisa dividir a bóia com o outro. Conclusão: pedi para transformarem meu pregonomisozukeyaki num pregonomisozukeyaki teishoku! Ufa! Tente falar isso 3x bem rápido!

Mas qual é a diferença?

Bem, teishoku implica numa série de pratinhos que acompanham o prato principal: arroz, missoshiro (sopa de soja fermentada), tsukemono (conservas de legumes), legumes cozidos, pedaços de peixe, salada, etc. Pedir alguma coisa seguido pela palavra teishoku garante tudo isso na sua frente.

Aí foi só esperar. Primeiro esperamos no balcão, e quando vagou uma mesa fomos esperar lá. O serviço é bem demorado, mas se considerarmos que o restaurante é tocado por uma família, dá para entender. Só não dá para entender o porquê de terem de deixar montadas n bandejas com tsukemono (pôr as tigelinhas nas bandejas) ao invés de terminar de montar uma bandeja em que falta apenas uma tigela de arroz. Como consequência, nosso prato veio meio morninho.

Kidoairaku - Pregonomisozukeiyaki teishoku

A organização da bandeja é um contraponto ao restaurante: tudo em seu devido lugar e com ótima apresentação! (Se bem que se as tigelas fossem todas do mesmo tipo – ou todas coloridas – meu espírito arquitetônico ficaria ainda mais feliz!)

Primeiro, vamos falar do teishoku. Os tsukemono estavam bons, faltou um pouco de crocância. O pepino com cenoura estava mais ou menos, meio sem graça. Os vegetais cozidos estavam macios. O peixe com shoyu estava muito doce… bem, eu nunca gostei muito desse aí. A salada com maionese estava ótima e o missoshiro com aguê (soja) e toufu (queijo de soja) estava muito bom, embora sem sal. O arroz importado é bom mas não é lá muito diferente dos outros restaurantes. Agora, o peixe-prego….

Kidoairaku - Pregonomisozukeyaki

O peixe-prego é uma delícia! Suculento, quebrando em lascas besuntadas no próprio óleo, com um molho de missô suave e saboroso, hmmmmm! Nunca soube que um peixe grelhado poderia ser assim tão suculento. Pensei que talvez fosse por causa do tipo do peixe, mais gorduroso, até que resolvi roubar uma lasca de anchova do prato da minha mãe: uma delícia de suculento! Isso porque nem sou muito chegada em peixe! Estava até mergulhando o arroz no caldinho do peixe, que decadência… Nota 10!

A sobremesa estava inclusa no teishoku, um tijolinho negro coberto de leite condensado que rendeu especulações: é um yokan (doce de feijão)? é uma alga?

Kidoairaku - Kanten com leite condensado

Era um “kanten com leite condensado” – por kanten, leia-se gelatina de alga. Senti no kanten um gosto bem distinto de café, forte e amargo, quebrado pela doçura do leite condensado. Mas minha mãe, uma seguidora da seita dos adoradores de café, ainda se recusou a acreditar que aquilo fosse café. Conclusão, fomos perguntar para a moça e… realmente era café! E depois eu é que não tenho paladar… mas um pouquinho mais de lente condensado – e talvez um creme de leite de lambuja – e todas ficaríamos mais contentes.

Voltarei lá com certeza para experimentar os outros pratos! Mas dispensarei o teishoku, hehe!

RESUMO

Local

  • Endereço: Rua São Joaquim, 394 – Liberdade – São Paulo/SP
  • Telefone: (11) 3207-8569
  • Site Oficial: N/D
  • Horário de Funcionamento: Seg a Sáb – 11h30 às 14h / 18h30 às 21h30. Fecha aos domingos.
  • E-mail: N/D

Consumação

  • Preço total: cerca de R$ 75
  • Pratos: 2 teishoku de peixe + 1 água

Pontos positivos

  • Aceita cartão!
  • Comida excelente! Ah, e o controle de qualidade é rigoroso! Teve uma hora que apareceu o poderoso chefão da cozinha e, após uma inspeção, recolheu uns pratos (que estavam na seção de montagem) que disse que não estavam bons.

Pontos negativos

  • Não aceita Sodexo!
  • Só aceita cartão de débito!
  • Serviço demorado.
  • Local apertadíssimo!

Pontos curiosos

  • Pergunte em português e receba uma resposta em japortunês – meio japonês, meio português e totalmente inteligível apesar de tudo.

Opinião

  • Recomendado para quem quer apreciar um bom peixe! Comida de primeira a preços razoáveis. Ótimo para quem quer uma alternativa próxima ao Aska e sem – tanta – fila.
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4 comentários em “Kidoairaku – peixe incomparável!

    • Ahaha, o WP é uma comunidade restrita e de bom gosto: não deixam entrar qualquer um! XDD

      O peixe é ótimo… e só. Não sei se lá vende nabeyaki udon, mas lembro que tinha dezenas de teishoku… e tb yakisoba. Tem um nabeyaki udon bom perto da minha casa (dizem que é o melhor udon de Sampa), no Ogawa.

      Vamos lá no Kido algum dia! Isso depois de experimentar a água-viva do Chique, lógico! 😉

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